terça-feira, 28 de agosto de 2007

O Fredteismo, desde os tempos ancestrais, nunca pretendeu ser doutrinário ou hegemônico. Segundo o mito de Fred o que é verdade não pode ser hegemônico nem ensinado por doutrina. Resta aos restantes seguir e confiar. O aprendizado é osmótico, lento, e inobservável. Jim Dodge chegou lá. Outros chegarão.

Fato é que não se pode dialogar com Fredteistas sem entender o sentido completo da expressão “bodeia”. Fred, que se senta semanalmente com filósofos mais ou menos eruditos para ouvir o que tem a razão a dizer, irritou-se recentemente com um leitor de Pascal que tentava ser retórico sem saber deôntica. Fred definiu o bodeia:

- “BODEIA:

Não se pode entender o que é visto por não haver concordância sobre a realidade. Parte-se de premissas idênticas e chega-se a conclusões opostas: Paradoxo formal indecifrável ainda que devorável.


Então... bodeia”.

Carta aos sãos,

"Não sei se estive louco. Nunca tive certeza, mas dúvida é indicio.

Sei que sofri de uma forma inimaginável e agi como reagi. Aceitar ser tratado é andar sobre uma faca. Uma faca. Um fio mais ou menos agudo, estreito (straigth... to be straigth) e solitário. Diz que é o jeito, que é assim, que depois de algum tempo quem sabe tudo não volte ao normal.

(deveria ser volte normal. não há razão para artigo).

Normal não existe. Normal é o que não pesa, e isso muda de ser para ser. Eu que não sou digo - nunca fui diferente. Não tinha os óculos e só. Passei a usar os escuros, de cego, e seguir um caminho guiado. O caminho é um fio de navalha: não se pode ser humano, tem de ser controlado. Demasiado estreito para diversão, para tudo que não é caminho, solidão, e reflexão.

E quando a sobriedade venta e vêm as ganas de mandar ao diabo tudo isso, incha-se o fígado e engole-se o sapo. Um dia – hoje?, o fio se estreita ao mesmo tempo que o vento sopra forte. A queda é eminente e involuntária. O caminhante olha ao redor e não há viva alma, ou não vivo nada, e sem ajuda se esborracha.

Próxima sessão: cuidar dos machucados, erguer e voltar a caminhar, quizás chegue mais longe?!

A queda é certa; mais para almas com olhos humanos que se aborrecem com as coisas. Mais vale pegar todo o talento e ser criativo: Pular de pernas abertas ao chão e ver se o corte divide ao meio ou se seleciona pedaços. Ao diabo com o amor. Não perde ao mau humor que é cuidar de alguém; não é nada que não se saiba em que não se exista.

Nada original: - Ao diabo sem mim! Porque haveríamos de ir juntos?

(- Sorte que a prepotência é demais para ser muito estúpido. Vou ao vai da valsa)".

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Ladainha Matinal (ou liturgia caipira);

Fred levantou-se no em seu universo caipira. Desajunou e cortou limões. Pos os limões cortados em um copo e polvilhou-lhes açúcar. Benzeu todo o conteúdo com aguardente caipira.

Fred desceu com seu copo preparado para ser atingido por raios solares e se deitou sobre uma toalha vermelha. Fred bebeu. Fred repetiu o ritual mais três vezes e voltou-se de costas para os raios solares.

Fred sonhou com o monte cânhamo e ao acordar criou uma nova liturgia chillonica em homenagem a seu parceiro Siva e a fumaça surgiu. Então Fred levantou-se bruscamente e começou a fumar andando freneticamente ao redor dum amontoado de água chamado pelos mortais de piscina. Fred vociferava antigos poemas e ininteligibilidades. Fred recitou Alberto:

- Li HOJE quase duas páginas

Do livro dum poeta místico,

E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,

E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flôres sentem

E dizem que as pedras tem alma

E que os rios tem êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flôres,

Eram gente;

E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;

E se os rios tivessem êxtases ao luar,

Os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flôres e pedras e rios

Para falar do sentimento dêles.

Falar da alma das pedras, das flôres, dos rios,

É falar de si próprio e de seus falsos pensamentos.

Graças a Fred que as pedras são só pedras,

E que os rios não são senão rios,

E que as flôres são apenas flores.

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos

E fico contente,

Porque sei que compreendo a Natureza por fora;

E não a compreendo por dentro

Porque a Natureza não tem dentro;

Senão não era a Natureza.

Fred observou um pica pau de cabeça vermelha. No momento em que este alçou voou Fred bradou:

- Bem aventurados os bebedores de cachaça, pois estes terão senso de desoportunidade ao recitar poesia.

Fred se deitou. Fred dormiu.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ode ao Meteorito (ou lógica lisérgico – deontica);

Fred caminhava pela noite em busca de capivaras. Fred deitou-se e, durante um cigarro, olhou o céu estrelado:


- Monte de tártaro, para-sol de estrelas:

- É preciso ser louco para ouvir estrelas. Psicóticos são loucos. Os remédios anti-psicóticos são baseados no LSD. Estar louco de LSD é estar psicótico. Eu ouço estrelas.

- Sagrado é o olhar dos psicóticos. Santa é a mongólice, que permitiu a Gengiskan causar medo suficiente para construírem a maior muralha do mundo.

- Bem aventurados os comedores de hachiche, pois estes alcançarão a nitidez.

- Bem aventurados os usuários de LSD, pois entenderão o avesso da verdade.

- (Olhar o céu e ver se algo cai do vazio. Cai e solta fogo! Pessoas aceitam imbecilidades como o infinito em expansão e negam a divindade terrena de Fred. O mundo carece de luzes. O mundo carece de fogo).

Fred apagou o cigarro e viu diversas capivaras no lago. Tentou falar com elas durante algumas horas. Quase foi atacado e voltou ao monte cânhamo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Fred vai à Babilônia;

Fred levantou-se disposto a beber água e fumar. Enveredou-se pela providencia à Babilônia. Encontrou destroços de potenciais desperdiçados de sempre e, novamente, bradou misericordiosamente:

- Oh, destemidos; encontrai-vos com seus âmagos e pensem com seu fígado sobre todo ódio desperdiçado. Apagar a luz e atirar ao alto!, Eis parepatéticos: De desgraças e desgostos foi construído o mundo, mas foi nele se inventou a cerveja e o whisky!

- (O cotidiano oprime e obnubila. A atividade enfraquece. Não é possível ver sem nitidez, e um copo onde há mais açúcar que água é turvo. O rum também é turvo, mas leva a retidão).

Fred viu que não era a boca para aqueles ouvidos. Fred bradou mais umas quantas vezes e se sentou.

Por meio do garçom Fred encontrou a garrafa para sua boca. Fred bebeu.

domingo, 5 de agosto de 2007

Ladainha noturna de Elias:

“O Fredteismo, enquanto doutrina religiosa, mais se aproxima do cientificismo natural positivista que do dogmatismo maniqueísta das religiões ordinárias do ocidente...”

Grande dicionário antropológico das religiões.


Fred caminhou. Fred se sentou e bradou a multidão de capivaras:

- Oh, futuro rebanho; Afastai-vos da moral.

Princípios tem serventia somente se válidos quando incômodos para si.

O comodismo é sagrado!

Então aquele que é livre perde os princípios ao caminhar, e não se importa com isso.

Fred fumou. Fred suspirou e levantou-se. Caminhou.

No monte cânhamo deu-se conta que havia deixado o isqueiro no caminho. Deitou-se.

Então, uma voz onipresente não deixou a cidade dormir:

- O MOVIMENTO ESTÁ PARA O REPOUSO ASSIM COMO O SOFRIMENTO ESTA PARA O GOZO.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

sermão du porão


Quando fico de pau duro
Sinto-me Deus
Não Deus como Zeus no Olimpo
Deus como Jesus
Como o homem no garimpo ao achar a maior pepita
Como o médico que o cardíaco ressuscita
Sinto-me Deus
Sinto-me forte
Sinto o poder
Toda a grandeza de ser de um povo
Sinto-me um ovo fecundado
Como um viado ao dar o rabo
Sinto-me alado
Sinto-me sábio
Sinto-me luz cuspida de meus lábios
Sinto a explosão dos teus
Quando me coloco Deus
No meio de tuas pernas