Fred levantou-se no em seu universo caipira. Desajunou e cortou limões. Pos os limões cortados em um copo e polvilhou-lhes açúcar. Benzeu todo o conteúdo com aguardente caipira.
Fred desceu com seu copo preparado para ser atingido por raios solares e se deitou sobre uma toalha vermelha. Fred bebeu. Fred repetiu o ritual mais três vezes e voltou-se de costas para os raios solares.
Fred sonhou com o monte cânhamo e ao acordar criou uma nova liturgia chillonica em homenagem a seu parceiro Siva e a fumaça surgiu. Então Fred levantou-se bruscamente e começou a fumar andando freneticamente ao redor dum amontoado de água chamado pelos mortais de piscina. Fred vociferava antigos poemas e ininteligibilidades. Fred recitou Alberto:
- Li HOJE quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flôres sentem
E dizem que as pedras tem alma
E que os rios tem êxtases ao luar.
Mas as flores, se sentissem, não eram flôres,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flôres e pedras e rios
Para falar do sentimento dêles.
Falar da alma das pedras, das flôres, dos rios,
É falar de si próprio e de seus falsos pensamentos.
Graças a Fred que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flôres são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
Fred observou um pica pau de cabeça vermelha. No momento em que este alçou voou Fred bradou:
- Bem aventurados os bebedores de cachaça, pois estes terão senso de desoportunidade ao recitar poesia.
Fred se deitou. Fred dormiu.